Sinto, logo existo
- Isadora Verly
- 20 de set. de 2023
- 2 min de leitura
Outro dia, pelas ruas de Copacabana, pessoas andando em diferentes ritmos, roupas de praia, roupas de trabalho, brócolis chegando no mercado, anúncio de carro, buzinas e uma bicicleta guiada por um homem, um pai provavelmente, e uma menina de uns 8-9 anos em pé na bicicleta com as mãos apoiadas no ombro do pai, olhos fechados, sorriso leve. Ela estava sentindo o vento, como se estivesse voando com seu cabelo preto cacheado curto, solto.
Sentir o vento...Vemos folhas dançando, roupas mexendo, mas não vemos o vento, ele acontece, ele simplesmente acontece, como um sopro que apaga uma vela de aniversário, simbolizando uma nova idade, sentindo o tempo passar.
O corpo humano tem um sistema que se chama sistema nervoso, (será que ele fica muito nervoso? brincadeira!) esse sistema nos informa das sensações. Alguns 86 bilhões de neurônios fazem essa dança agitada de leva e trás, capta as informações, correm com ela mais rápido que o Bolt e chega na linha de chegada chamada cérebro! Uau em! Fisiologias a parte, sentir é uma grande aventura!
Que tal escolher sentir? Essa é uma experiência única, um sentir nunca é igual a outro sentir, eu sinto o vento diferente da menina da bicicleta, porque o corpo dela é diferente do meu. Eu sinto o vento hoje de um jeito e amanhã de outro jeito. Eu sinto o abraço, eu sinto o sol, sinto a comida, a água do banho e assim vai...
Nessa escolha de sentir chegamos no nosso lugar mais sagrado, nossa casa, nosso corpo. Existe um termo que se chama Educação Somática, criado por Thomas Hanna (1928-1990), ele define a educação somática como sendo: “a arte e a ciência de um processo relacional interno entre a consciência, o biológico e o meio ambiente, estes três fatores sendo vistos como um todo agindo em sinergia” (Fortin, 1999, p.) Complexo em...
Bom, a Educação Somática na prática é colocar o corpo em experiência sensorial. Estimular o corpo a sentir, e ainda, se sentir sentindo. Ter a consciência de que se está sentindo, o quê exatamente não importa muito aqui agora, mas importa sim em outros momentos.
Com o tempo o ser humano vai se castrando, se paralisando, e deixando para trás a criança da bicicleta que apenas estava sentindo o vento. Com todas as preocupações, pensamentos, necessidade de produção, o corpo vai se defendendo, cascas vão sendo criadas e o sentir fica de lado, afinal..."eu lá tenho tempo pra isso?".
Um corpo que sente é um corpo ativo, um corpo feliz, um corpo com presença, um corpo empático, um corpo vivo, um corpo que existe.
Algumas práticas corporais estimulam a experiência do sentir, como massagens, sensibilizações corporais, exercícios de consciência do movimento, são muitas e muitas práticas de corpo que se afinam nessa ideia, por exemplo; Massagem Terapêutica + Alongamento, Prática Sensorial, Leitura Corporal, Fasciaterapia, Feldenkrais, Eutonia, BMC, Kinomichi, Rolfing, Método Angel Vianna, e assim vai.
Todas essas práticas são de extrema importância social, pois elas proporcionam aos corpos a existência de si pelo sentir, e nós humanos estamos habitando esse planeta transitoriamente para Viver e é impossível Viver sem Sentir, sem se sentir sentindo, sem estar com outros.
Abrace, beije, dance, mergulhe, vente, mova, exista, viva, sinta!




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